"Há ventos na América Latina, como as idéias de socialismo que brotam com força. A idéia de socialismo, que se acreditava enterrada. O socialismo não está morto, está mais vivo do que nunca. O capitalismo é que está morto" - Hugo Chávez, em Salvador,
hoje**
Este blog surgiu em 2004, ano 2 d.L.. Eu estava no 2º anos da faculdade de Direito. Escrevia pequenas crônicas, notinhas, na linha
ridendo castigat mores. Meu viés era marcadamente de esquerda. Eu havia sido um dos milhões de brasileiros que, dois anos antes, haviam eleito Dom Luizinácio presidente.
À medida em que o tempo passava, entretanto, minhas batidas começaram a se deslocar da direita para a esquerda. Somados aos escândalos, a minha convivência na política estudantil mostrava o hiato entre o que era discurso e o que era prática.
Nesse meio tempo eu fui estudando: filosofia, economia, literatura, retórica e dialética. Fui fazendo por mim o que a Universidade não fazia e não faria. E comecei a ver que eu, simplesmente, não podia compactuar com o que eu sabia errado. Não podia tolerar ditaduras somente por que eram anti americanas. Não precisava ser antiamericano só por que é modinha odiar os EUA. Eu não podia defender que se tolhessem, em nome de um suposto bem maior, liberdades das quais eu não abria e não abro mão. Via colegas também de esquerda vendo as mesmas coisas, mas adotando um tom que ia da resignação ao cinismo: "
É, mas a direita é pior", ou então
"Você prefere que o PSDB volte?". Se recusam a enxergar com medo de trair convicções da juventude.
Eu não. Eu não sou um coletivo. Sou um indivíduo, e falo apenas por mim. Não tolero a noção de que os indivíduos são abstratos e os coletivos (raça, classe, opção sexual) seriam concretos. E não sou um terceiro onisciente para medir os outros por regras que não valem para mim. SE sou um indivíduo, o zé da esquina também o é.
E nos últimos tempos a política tem centrado este blog. Houve uma mudança de leitores: perdi uns, ganhei outros. Faz parte da vida, nem todos os temas são interessantes a todos.
Somente acho graça quando recebo, vez ou outra um email em que alguém diz que estou perdido no tempo: ser anticomunista caiu de moda. Ora, como assim, caiu de moda? O comunismo, acaso, caiu de moda? O partido que governa o Brasil deixou de professar a crença no tal socialismo? Deixou de se alinhar com ditaduras e ditadores comunistas? Deixou, por algum momento, de seguir o
script dado por Hayek quando escreveu "
O caminho da servidão"¹???? O futuro, ou a maioria das pessoas, podem me considerar errado. O que não significa que estarão necessariamente certos.
Tá aí o Hugo Chávez que não me deixa mentir.
¹
O Caminho da servidão não é um livro sobre o futuro. É um livro sobre o passado. Conta como foi que nações caíram no canto da sereia do totalitarismo coletivista. Enquanto estamos aqui lindos e faceiros, achando que o muro de Berlim acabou com essa baboseira de ser comunista,
eles não desistiram. O problema do comunismo não é ele se concretizar: o comunismo é irrealizável, como Mises já havia provado em 1922, e a queda da URSS confirmado. O problema é o quanto perdemos - em vida, material - a cada vez que essa turma pede uma segunda chance.